Como é mesmo o seu nome?
Quem me conhece -e também quem não me conhece - já me ouviu reclamar do meu nome. Que significa "pacífico, resoluto" e tem origem teutônica - alemã, pra ser menos cheio de frescuras. Aliada à variedade insana de maneiras como as pessoas me chamam, nos últimos tempos atentei para o fato de que na verdade eu tenho uma espécie de multiplicidade de personalidades, devidamente ligadas ao jeito como me chamam. Daí resolvi preparar um tratado sobre eu, mim e eu mesmo, de acordo com o modo como me chamam.

Personalidade múltipla é uma cachorrada só
Nome: WILFRED
Pronúncia: Uílfred
Área de abrangência: profissional, escolar, recifense
Histórico: Bem, esse é o jeito que me chamam aqui no Recife. Tudo começou quando, aos 12 anos, entrei na Escola Técnica. Na hora da chamada, o professor pronunciou Uílfred. E aí, desde 1986, quem me conheceu na ETFPE, no Especial, na UFPE, no Diario de Pernambuco e no Jornal do Commercio, me chama desse jeito. Silvinha me conheceu como Gadêlha, mas foi devidamente se adaptando a Uílfred - coisa que aprecio até hoje.
Personalidade: Como é um modo mais profissional, quando me chamam de Uílfred, tenho que assumir a postura de repórter. Portanto, sou um cara mais responsável (tem certeza?). Silvinha me chama desse jeito e quebra um pouco a sisudez, pois me sinto em casa. E querido.
Nome: WILFRED
Pronúncia: Vilfréd
Área de abrangência: profissional, escolar, goianense, greial
Histórico: Meu pai tem o mesmo nome que eu. Aliás, eu tenho o mesmo nome dele. Em Goiana, minha terra natal, as pessoas que não me conheceram no seio familiar me chamam de Vilfréd - herança de Wilfred Sênior. Chamam-me assim as pessoas que conheci no Colégio da Sagrada Família, no jornal A Província e na Prefeitura de Goiana, quando fui secretário. Por conta de alguns amigos recifenses, também me chamam deste jeito por aqui. Mas é bem menos gente.
Personalidade: Quem me chama de Vilfréd tem uma certo distanciamento - à exceção de amigos como Podreira, Lapa e outros. Assim, quando ouço alguém me chamar desse jeito, lembro de Goiana.
Nome: JÚNIOR
Pronúncia: Júnio
Área de abrangência: familiar, goianense
Histórico: Chamo-me oficialmente Wilfred de Albuquerque Gadêlha Júnior. Ser Júnior é ser o filho de alguém. Portanto, sou chamado dessa maneira por pai, mãe, irmãos, tios, tias, primos, primas, avô. E minha filha também me chama de Júnior. O ex-prefeito de Goiana também me chamava de Júnior - inclusive em reuniões de secretariado, fato que me deixava um tanto constrangido.
Personalidade: Júnior é sempre aquele pirralho superdotado, que aprendeu a ler com 4 anos e blá-blá-blá. Obviamente, no seio familiar, ninguém ousa abrir a boca pra me chamar de Wilfred - quaisquer das pronúncias.
Nome: GADÊLHA
Pronúncia: a mesma
Área de abrangência: profissional, alguns amigos, recifense
Histórico: Se alguém me chama de Gadêlha, tem duas origens: ou achou meu nome difícil e optou por chamar o mais fácil ou me conheceu na campanha de Joaquim Francisco. Na maioria das vezes, tentando evitar certos constrangimentos, declino meu nome como Gadêlha, tentando facilitar as coisas. Na campanha de JF, o marqueteiro Ricardo Carvalho me apresentou ao resto da equipe como Gadêlha. Aí, um monte de gente que conheci naquela época me chama desse jeito. Dia desses, entrevistei o minsitro Celso Amorim, que perguntou se Gadêlha era meu nome de guerra. Disse ao chanceler que não, mas que meu nome era muito estranho. Ele perguntou qual era e se saiu com essa: "Pelo menos é um nome que existe".
Personalidade: Gadêlha é sisudo, responsável e correto.
Nome: JUQUINHA
Pronúncia: a mesma
Área de abrangência: ETFPE, heavy metal, recifense
Histórico: Aos 12 anos, no meio de um antro de almas, tive que tomar uma decisão: ou ser eternamente massacrado pelas gréias ou me juntar aos porcos e comer farelo. Então, perturbando um bocado, ganhei o apelido de Juquinha, o eterno moleque das piadas. Quando comecei a andar com a raça do metal, Fred, amigo dos caras do Cérbero, me reconheceu. Aí, voltei a ser chamado de Juquinha pela galera haedbanger. Isso se estendeu ao JC, onde pessoas como Novela e Serginho também me chamam assim.
Personalidade: Juquinha é um eterno perturbador. Dizem que na maioria do tempo, eu sou Juquinha.
Nome: BOCA
Pronúncia: bôca
Área de abrangência: Várzea e CDU
Histórico: Meu irmão Mohammed tinha o costume de falar cuspindo. O pessoal da Várzea, onde eu praticamente acampava no início dos anos 90, o apelidou de Boca de Chuveiro. Por ser irmão dele, ganhei a alcunha Boca de Chaveiro, posteriormente reduzida a simplesmente Boca.
Personalidade: Boca é um Juquinha mais perturbador, se isso é possível.
No final das contas, eu sou eu e Nicuri é o Diabo!