Will 2 Kill
 

SONHOS POSSÍVEIS

OU NÃO CONTRARIEM UM MORIBUNDO

Meu brother de milhares de anos Mandrey me intimou a participar do projeto Sonhos Possíveis. Como ele está convalescente, é melhor não contrariar - dizem os doutores.

Não sei se encarnei o espírito da coisa, mas vou elencar os meus sonhos possíveis, em ordem aleatória.

* Ser feliz



Escrito por Billfred às 12h52
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De como um réptil ardiloso

acabou com a paz no Paraíso

Foto: Rusga Matos

Ui, que loucura

 

Para quem leu ontem a história de Gioconda, a tartaruga desaparecida que comia charque, é bom se preparar para outro causo abordando estes simpáticos répteis da ordem dos quelônios. Desta vez, é a história dos jabutis Carlota, Carlito e Carminha.

 

No quintal da casa de minha mãe, na Rua da Baixinha (não me perguntem quem é a baixinha que dá nome à rua que eu não sei), tem um pé de acerola. À sombra de tão frondosa árvore, vivia um casal de jabutis. Não sei se eles eram casados, mas viviam juntos. Carlota e Carlito. Eram jabutis de tamanho médio. Acho que eram jovens, deviam ter uns 40 anos cada. Carlota, a fêmea, era maior. Carlito era bem menor do que a companheira. Viviam numa boa, comendo banana, mamão e melancia. Como Adão e Eva no Jardim do Éden.

 

Eis que minha mãe resolve povoar ainda mais o Paraíso. Não satisfeita com o casal, minha genitora comprou – que o Ibama não nos ouça – outro quelônio. Menorzinha, mais clarinha, boa praça, foi chamado de Carminha.

 

Carminha adentrou a vida do casal como um furacão. Mais jovem – devia ter uns 20 anos – era chegada a arroubos juvenis. Bebia, fumava e saía à noite para dançar. Como era pequena – do tamanho de uma quenga de coco seco - , sumia pelos recônditos do quintal, dando um aperreio extra às empregadas, que tinham que cortar um dobrado para achar a rebelde.

 

Carlito, que não era besta nem nada, começou a dar em cima de Carminha. Nova no pedaço, irresistível, a tartaruguinha era um encanto. Era demais para o jovem Carlito, cujo relacionamento com Carlota andava meio devagar. Na primeira oportunidade, ele montou na couraça da nova amiguinha. Apesar de moderna, Carminha não era besta. E se saiu, que não queria encrenca com a dona da casa.

 

Mas Carlito continuou “cercando lourenço”.  Insistia, insistia, mas não conseguia êxito. A paz no Paraíso estava ameaçada.

 

Um dia, a empregada jogou fora uma bacia de água de lavagem de roupa. Não sei o que é que Carlito tinha na cabeça, mas acho que tentou o suicídio, bebendo o detergente. Ficou imprestável. Não se mexia. E fazia uns barulhos, uns roncos, semelhantes ao que fazia quando estava em conjunção carnal com a sua esposa. Minha mãe levou ao médico, que desenganou o animal. Não havia nada a fazer a não ser esperar. Morreria logo. Teria, no máximo, uns 15 anos de vida.

 

Engembrado, Carlito virou um vegetal. Um alvo fácil para os ataques de...Carminha!!! A jovem quelônia começou a montar diariamente na carapaça do ex-quase amante. Fazia uns barulhinhos sensuais, virava os olhinhos e depois de saciada, ia embora, espalhar para os amigos. Era que Carminha não era fêmea. Era um macho, na verdade, um adolescente punheteiro que fugia do pederasta Carlito.

 

O destino deste triângulo amoroso foi trágico. Carlito morreu. Carminha sumiu mundo afora, saciada de seu desejo homoquelônico. Carlota? Carlota ficou viúva e foi doada pela minha mãe. O Éden nunca mais foi o mesmo.



Escrito por Billfred às 10h16
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Touché!!!

Foto: Feto Bigueirôa

Gioconda, a sumida

 

Lá em casa nunca foi uma Arca de Noé. Minha avó, braba que só uma caninana, não deixava minha mãe criar nenhum bicho quando era menina. E a moral da coroa se manteve depois. Mas, como bons meninos que eu e Mohammed éramos – muito bons... – a gente sempre arranjava um jeito de trazer um vira-lata pra casa. Não durava um dia. A gente tinha que jogar o bicho fora.

 

Mas, exceções à regra sempre as há. Quando morávamos no aprazível Conjunto Praia do Janga - quase vizinhos de Sapo e Pedro Moura -, por trás do nosso prédio havia uma espécie de areal, com um açude/lagoa/barreiro, chamado Morixaba. Um dia, voltando de uma sessão de chutar-pra-agarrar, encontramos uma pequena tartaruga, em uma poça de lama. Braba que só a minha avó, o pequeno quelônio ciscou que só, mas não resisitiu à captura.

 

Levamos o réptil pra casa. Convencemos a minha mãe de que deveríamos criá-la, afinal de contas a danada não faria as necessidades pelos cantos do apê, um argumento irresistível, ainda mais porque minha grandmother estava em Goiana. Compramos um aquário, arrumamos umas plantas aquáticas e botamos a tartaruga lá.

 

A bicha ficava nadando pra lá e pra cá e aí então nos lembramos de duas coisas: comida e um nome pra safada. Quanto à comida, a gente botava alface, pão e o caralho a quatro, mas a quelônia não comia nada. Saudade de casa? Da mãe? Dos irmãos? Sei lá. Mohammed teve uma brilhante idéia: pegou um pedaço de charque, picotou e jogou no aquário. Não é que o pequeno réptil adorou?

 

Resolvido isso, passamos à nova fase: batizar o bicho. Tínhamos um problema, já que não sabíamos se o novo hóspede era macho ou fêmea. Não levamos isso em consideração, e sugerimos todos nomes femininos. Minha mãe, democrática, resolveu fazer um sorteio. Botamos os nomes em papeizinhos e sorteamos. Eu fiquei torcendo para o meu ser escolhido: Astrogilda. Mohammed botou Bebe-Gala ou algo do gênero. Minha irmã lascou um Fofinha. E minha mãe mandou Gioconda, que era o nome de uma personagem de Heloísa Mafalda em Hipertensão. Quem ganhou foi minha mãe. E Gioconda começou a fazer parte da nossa vida.

 

Só que menino não mantém o interesse por muito tempo. Logo logo eu e Mohammed voltamos a nossa atenção para umas fitas do Rush e do Black Sabbath e os catálogos da Hermes da minha mãe e esquecemos Gioconda. Minha mãe ficava fula, porque não alimentávamos a bicha nem limpávamos o aquário. Depois de muito esporro, resolvemos limpar o habitat da nossa amiga.

 

Peguei Gioconda e tirei do aquário. Botei-a no chão, enquanto fui com Mohammed ao banheiro lavar a sua casa. Lavamos, deixamos o aquário nos trinques. Quando voltamos pro quarto, cadê a porra da tartaruga? Sumiu. Escafedeu-se. Viramos o pequeno apê de cabeça pra baixo e nada. Fudeu. Mamãe ia ficar arretada.

 

Que nada. Minha mãe nem ligou. Pra falar a verdade, nem a gente. Estávamos de saco cheio de cortar charque para a tartaruga, que comia melhor que a gente. Demos de ombros.

 

Um ano depois, inventaram de fazer uma faxina lá em casa. E chamaram Mohammed e eu pra ajudar. A contra-gosto, fomos lá. Minha irmã passou a vassoura por debaixo do guarda-roupa da gente e achou uma pedra. Uma pedra? Isso, cheia de poeira por cima. Quando fomos observar a tal pedra, vimos que era na verdade a tartaruga desaparecida!!! Pegamos o velho aquário, enchemos de água e jogamos o bicho lá. E não é que a safada, inerte até então, começou a nadar, como se nada tivesse acontecido?

 

Só que a minha mãe deu um ultimato. “Devolvam essa porra pro lugar de onde veio!” Devolvemos. E acho que Gioconda hoje deve ser uma mãe de família. Ou virou sopa.

 

 



Escrito por Billfred às 12h43
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No mundo animal, exeste muita putaria

Marcos Marcos

Bruno não ia com a minha cara

 

É certo que o Criador povoou o mundo, em sua gênese, com as mais diversas espécies animais. É certo também que o Criador errou a mão em alguns bichos. Ou ficou confuso ou terceirizou o serviço. Criaturas como o ornitorrinco, o rinoceronte e o gato são notadamente lapsos da criação. O Homem inventou ainda de domesticar alguns animais, como o cavalo, o boi e Rodolfo, ex-Raimundos.

 

Eu sempre gostei de bicho no lugar dele. Ou Dois Irmãos ou a mata. Que fiquem pra lá. Só que o buraco é mais embaixo. Eu tive que conviver com alguns animais de pelo, de pena e de casco. Não foi uma experiência das mais exitosas.

 

A começar por um papagaio que a minha mãe inventou de criar. Okey, okey, o Ibama e congêneres proíbem isso, mas o louro já morreu e o crime, se há um, prescreveu.

 

Quando o psitacídeo chegou ao número 118 da Avenida Nunes Machado, a popular Rua da Baixinha, em Goiana, parecia um zumbi. Não tinha uma pena, não abria o olho, nem sequer falava um palavrão pra fazer remédio. Entramos então em uma luta feroz para batizar a ave. Não, não levamos o danado para Padre Hélio abençoar e molhar a cabeça com água benta. Eu, minha mãe, minha irmã e meu irmão Mohammed sugerimos uma porrada de nome.

 

Abre parêntese. Eu acho que bicho, se é que temos que tê-lo, tem que ter nome escroto. Principalmente se for papagaio. Eu contribuí com epírtetos pomposos, ao estilo Diógenes, Quintino, Benjamim. Mohammed veio com uns safados, do tipo Cabeça-de-Pomba, Chupa-Tái e outros do gênero. Minha mãe veio com umas sugestões similares à minha. E, enquanto não decidíamos, minha irmã ia chamando a ave de Bruno. Demoramos pra decidir e, quando demos fé, o psitacídeo verde-amarelo já tava atendendo por Bruno.

 

Pois Bruno, como bom papagaio, era muito chato. Ele ficava no corredor de casa, num poleiro de alumínio. Sujava a casa toda. Voava gritando. Minha mãe e meu avô Zé do Carmo (ele é a cara do ceramista e não do ex-jogador) eram quem pegavam o bicho. Estendiam o dedo indicador na direção e Bruno subia, todo desajeitado. Quando eu ou Mohammed passávamos, ele tentava nos bicar. Sempre. Botamos o apelido dele de Velociraptor, porque o bicho era rápido na tentativa de bicar.

 

Um certo dia, ou melhor, madrugada, vinha eu de algumas bicadas – a da cachaça, entenda-se. No corredor, eu batia numa parede e na outra, cheio de cana. Quando fui passando perto do papagaio, o bicho se manifestou e tentou me atacar. Bati com o ombro no puleiro e Bruno voou. Caiu no chão. Vale salientar que minha mãe criava duas gatas – Agatha e Amélia, que viviam espreitando o papagaio, doidas que ele caísse no chão.

 

As gatas se aproximaram. Eu, embriagado de sonhos e Dreher, as afastei, mas, em meio ao meu porre, lembrei que ele tinha que voltar para o puleiro. Não tinha ninguém em casa. Era eu que tinha que pegá-lo. Estendi o indicador e o filho de uma arara me deu uma bicada que o sangue verteu. Esguichou. Gritei uns 30 palavrões diferentes. Tive que descobrir um outro estratagema para colocá-lo no lugar.

 

Como não queria dar meu dedo ao bico afiado de Bruno, inventei de pegar um cabo de vassoura. O filho de uma andaia gritou tanto, mas gritou tanto que os vizinhos ouviram e bateram na porta de casa, pensando em uma carnificina. Alguém, que não lembro quem foi – por conta da dor no dedo e de meu avançado estado etílico – botou o filho de uma cracatoa no seu devido lugar.

 

Não me lembro bem, mas Bruno bateu as botas há uns cinco ou seis anos. Parece que um gato das redondezas pintou e bordou com ele. Não sei. Só sei que, desde aquele episódio no corredor da morte, nem conto nem quero ouvir piada de papagaio.

 

P.S.:

A primeira palavra que o papagaio aprendeu foi o meu nome. Claro que ele não aprendei a dizer "Wilfred". Foi Júnior, como me chamam em casa de minha mãe.



Escrito por Billfred às 17h25
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Re-recomeço

Foto: Pico Chorto

 

Nietzche - Superman sucks!!! Sou mais Batman.

 

Antes de mais nada, uma pausa  pra explicar que estou de volta. Não, não fui abduzido, nem seqüestrado por coelhinhas da Playboy. Estava – estou ainda, na Vera – atolado de trampo até o pescoço. Mas você não tem nada a ver com isso. E, após esse preâmbulo, aprecie com moderação o texto abaixo.

 

 

Nunca fui lá muito chegado em filosofia. Meus contatos com os mestres nunca foram além de um muxoxo. Platão, Sócrates, Nietzche, Sartre e esses caras todos nunca estiveram no meu index de autores prediletos.

 

Quando entrei na faculdade, circa 1993, me emputecia com os colegas de sala citando esse povo todo. Me sentia mais por fora do que torcedor do Santa Cruz, eleitor de Mendoncinha e gente que tem Plutão como planeta regente. No meio da conversa, se estivéssemos falando sobre rock, alguém citava Camus e aí eu me fudia.

 

Resolvi ser cabeça. Resolvi ler alguma coisa pra não ficar posando de inguinorante. Aí, peguei o famoso Assim falou Zaratrustra. Não passei da segunda página.

 

Talvez seja porque, quando eu tinha 5 anos e nem sabia o que era uma bronha, meu pai me deu uma coleção de livros –aprendi a ler com 4 – de clássicos da literatura universal. Tinha de Bernard Shaw a Pascal, passando por Camões, Padre Vieira, Espinoza e Schoppenhauer. Esses livros me foram muito úteis, por volta de 2002. Vendi-os todos, cada um a cinco paus, em um sebo lá na Corredor do Bispo.

 

Outra vez peguei um livro de um amigo que é meio hare. Introdução à Filosofia Védica. Não entendi bulhufas e até hoje não consigo pronunciar o nome lá do livro Baghhahhadaddaha Vitaffada. Sei lá. Acho que tinha que ter lido o Introdução à Introdução à Filosofia Védica.

 

Resultado: minha filosofia de vida é baseada em observações e chavões. Pinço uma coisa ali, outra aqui. Pára-choques de caminhão, ditados populares e frases de músicas. Carlos Vândalo, Vladimir Korg e Falcão, não necessariamente nessa ordem.

 



Escrito por Billfred às 16h38
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BRASIL, Nordeste, GOIANA, Homem, de 26 a 35 anos, English


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